
A menopausa representa uma importante transição fisiológica na vida da mulher e está associada a profundas alterações hormonais, especialmente à redução dos níveis de estrogênio. Embora seus sintomas mais conhecidos sejam os vasomotores, como os fogachos, suas repercussões também são evidentes na pele.
O tecido cutâneo é altamente sensível às alterações hormonais. A presença de receptores de estrogênio em diferentes estruturas da pele explica, em parte, os efeitos da deficiência estrogênica sobre a qualidade e a integridade cutânea.
Com a redução do estrogênio, podem ocorrer alterações na matriz extracelular, diminuição da síntese e organização do colágeno, redução da elasticidade, comprometimento da hidratação e modificações na espessura da pele. Clinicamente, essas alterações podem se manifestar por ressecamento, perda de viço, flacidez, alterações da textura e maior evidência de rugas.
Dra. Leda Martins, Fisioterapeuta Dermato-Funcional na Clínica Leda Martins.
Como fisioterapeuta dermato-funcional, sempre compreendi que o cuidado estético não deve estar dissociado da saúde sistêmica. Foi justamente durante minha própria experiência com a menopausa que essa compreensão se tornou ainda mais evidente.
Ao perceber mudanças na hidratação, textura e firmeza da minha pele, passei a investigar com maior profundidade os mecanismos fisiológicos envolvidos no envelhecimento cutâneo feminino e as repercussões da deficiência hormonal sobre o tecido.
Após avaliação médica individualizada, exames laboratoriais e definição da conduta terapêutica adequada ao meu caso, iniciei o tratamento prescrito e passei a observar melhora na hidratação, no viço e na qualidade geral da minha pele.
É importante, entretanto, esclarecer que a terapia hormonal da menopausa não deve ser indicada exclusivamente com finalidade estética. Sua utilização precisa considerar sintomas, histórico clínico, fatores de risco e contraindicações, sendo uma decisão individualizada e acompanhada por médico habilitado.
A progesterona também apresenta interação com o tecido cutâneo, embora seus efeitos sobre o envelhecimento da pele sejam menos estabelecidos cientificamente do que os efeitos do estrogênio. Por isso, não é correto atribuir a ela, isoladamente, benefícios como aumento significativo do colágeno ou reversão do envelhecimento cutâneo.
"A menopausa me ensinou, como mulher e como profissional da saúde, que cuidar da pele vai muito além de tratar rugas."
O cuidado com a pele na menopausa, portanto, deve ser multifatorial. A fotoproteção diária, a utilização adequada de dermocosméticos, a hidratação, os antioxidantes e os recursos terapêuticos disponíveis na fisioterapia dermato-funcional continuam sendo importantes estratégias para a manutenção da saúde e da qualidade cutânea.
No entanto, uma abordagem completa também deve considerar sono, alimentação, atividade física, composição corporal, massa muscular, saúde emocional e condições sistêmicas.
A pele é um órgão biologicamente ativo e frequentemente reflete as transformações que ocorrem em todo o organismo. Por isso, o verdadeiro cuidado deve integrar ciência, saúde e estética.
Cuidar da pele de fora para dentro é importante. Compreender e cuidar do organismo como um todo é essencial.
Dra. Leda MartinsFisioterapeuta Dermato-Funcional
Clínica Leda Martins
@clinicaledamartins
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