Saúde & Bem-Estar

Seu cérebro também sente fome. E talvez ele esteja pedindo socorro.

Dra. Sandra Fernandes explica como a alimentação e a hidratação impactam diretamente o foco, a memória e a saúde do nosso cérebro.

Dra. Sandra Fernandes 06 de July de 2026 2 min de leitura

Você já entrou em um cômodo e esqueceu por que foi até lá? Ou precisou reler a mesma página várias vezes porque simplesmente não conseguia se concentrar?

Na maioria das vezes, colocamos a culpa no estresse, no excesso de trabalho ou na falta de sono. Eles realmente têm um papel importante. Mas existe um fator que costuma passar despercebido: a alimentação.

"O cérebro representa apenas cerca de 2% do nosso peso corporal, mas consome aproximadamente 20% de toda a energia produzida pelo organismo."

O cérebro representa apenas cerca de 2% do nosso peso corporal, mas consome aproximadamente 20% de toda a energia produzida pelo organismo. Ou seja, ele é um órgão extremamente exigente. Quando faltam nutrientes de qualidade, ele também começa a trabalhar “em modo econômico”. O resultado pode aparecer como cansaço mental, dificuldade de concentração, lapsos de memória e queda no desempenho durante o dia.

A boa notícia é que pequenas mudanças no prato podem fazer diferença. Peixes ricos em ômega-3, como salmão e sardinha, ajudam a proteger os neurônios. Castanhas, nozes e amêndoas fornecem gorduras boas e vitamina E, importantes para o envelhecimento saudável do cérebro. Frutas vermelhas são ricas em antioxidantes que combatem o estresse oxidativo, enquanto vegetais verde-escuros oferecem vitaminas essenciais para a memória.

Outros aliados são os ovos, fonte de colina, o azeite de oliva extravirgem, o abacate, o cacau com alto teor de cacau e as leguminosas, como feijão, lentilha e grão-de-bico. Todos eles ajudam a manter a saúde cerebral e favorecem um funcionamento mais eficiente da mente.

Também vale lembrar que não basta pensar apenas nos alimentos “bons”. O excesso de ultraprocessados, bebidas açucaradas e gorduras de baixa qualidade favorece processos inflamatórios que, ao longo dos anos, podem acelerar o envelhecimento cerebral.

Outro ponto que merece atenção é o uso crescente das medicações para emagrecimento. Elas representam um grande avanço no tratamento da obesidade, mas reduzem significativamente o apetite. Quando o paciente passa a comer muito pouco e sem orientação adequada, aumenta o risco de deficiência de vitaminas, minerais e proteínas fundamentais para o funcionamento do cérebro.

E não podemos esquecer da hidratação. Uma desidratação leve já pode reduzir a atenção, aumentar a fadiga e favorecer dores de cabeça. Muitas pessoas tentam compensar esse cansaço com mais café, quando, na verdade, o organismo está apenas precisando de água.

Cuidar do cérebro não começa quando surgem os esquecimentos. Começa diariamente, nas escolhas feitas à mesa. Afinal, assim como exercitamos o corpo para envelhecer com qualidade, também podemos alimentar o cérebro para preservar a memória, a concentração e a autonomia por muitos anos.

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